Publicado por: sadeckgeo | julho 8, 2016

Conversamos com o Gerente de desenvolvimento do SPRING

EntrevistaSPRING

Nosso convidado hoje é o Prof. Dr. Carlos Alberto Felgueiras que é formado em Engenharia Elétrica pela UNICAMP, tem mestrado e doutorado em Computação Aplicada, ambos pelo INPE. Local este que trabalha desde 1982 (Eu não era nem nascido! Risos!) em diversas aplicações e cursos, como por exemplo a gestão do SITIM e SGI que são os precursores do SPRING. Eu poderia falar da experiencia do prof. Felgueiras por horas, sendo assim deixo aqui o link para o currículo dele e também sua página no INPE.

Pagina INPE: http://www.dpi.inpe.br/~carlos/
Curriculo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2916855460918534

Como de costume a conversa terá um tom informal, mas não menos técnica e científica e o tema será o desenvolvimento do SPRING já que o Prof. Felgueiras é o Gerente de desenvolvimento do SPRING

Gostaríamos de lembrar que as respostas abaixo não são definitivas ou completas. Elas refletem a visão particular do nosso entrevistado como atual gerente do SPRING. Quaisquer questionamentos complementares podem ser enviados para spring@dpi.inpe.br que é o site oficial de comunicação e suporte do SPRING.

CF: Carlos Felgueiras
SG: Sadekgeo

SG: O SPRING é um dos softwares de SIG mais antigos no cenário, até mesmo, internacional. Qual foi a importância do desenvolvimento dele dentro do INPE e para o cenário nacional de geotecnologias?

CFO SPRING é o sucessor dos software SGI e SITIM desenvolvidos nos anos 80 pelo INPE para PCs em sistema operacional DOS. A importância está no fato de se desenvolverem soluções nacionais para aplicações de SIGs buscando não depender sempre de sofwares estrangeiros sobre os quais, na maioria das vezes, não se tem controle do conteúdo interno. Nas atividades da área de Observação da Terra do INPE sentiu-se a necessidade do desenvolvimento de soluções customizadas para problemas de geoprocessamento específicos do INPE. Assim surgiram essas soluções, que continuam a ser desenvolvidas no SPRING e nas plataformas da biblioteca de funções de geoprocessamento TerraLib.

Tela_SPRING

SG: Como foi o seu caminho até a gerencia do SPRING?

CFA gerência do SPRING, assim como as gerências dos projetos da Divisão de Processamento de Imagens – DPI – do INPE, são ocupadas temporariamente por especialistas que trabalham diretamente com os respectivos projetos e que tem um perfil adequado para gerenciamento de projetos. Porém os demais desenvolvedores e pesquisadores que trabalham no projeto SPRING são igualmente importantes para o projeto.

SG: O SPRING agora é código aberto. O que levou à abertura do código e o que se tem de ganho real com essa medida? A atividade de abertura do código deu muito trabalho?

CFSim, o código fonte do SPRING está disponível na internet e pode ser baixado a partir do site desde 2010. A abertura do código é importante para que a comunidade possa ter acesso, não somente ao programa executável, mas também aos fontes do software. Isso possibilita que qualquer usuário, além de saber o que está sendo realizado em cada função do software, possa modifica-lo se for de seu interesse. O usuário pode, opcionalmente, também colaborar com o desenvolvimento do software enviando para o e-mail spring@dpi.inpe.br sugestões de alteração nas funções do sistema. A disponibilização do código aberto foi relativamente simples, não demandando um trabalho muito intenso.

SG_nota: SPRING – CÓDIGO FONTE

SG: Hoje a difusão de software SIG gratuito é bem grande. Nós temos uma comunidade bastante ativa no desenvolvimento de ferramentas para esses softwares. Na sua visão, por que que isso ainda não chegou no SPRING?

CFA comunidade SPRING é, em sua grande maioria, de usuários do executável. Como o SPRING não nasceu como código livre, talvez isso explique um pouco a dificuldade em contribuir no desenvolvimento do mesmo. De qualquer forma, o canal de contribuição está aberto com a disponibilidade do software em código aberto.

SG: Geralmente os usuários do software dizem que ele é muito burocrático. Existe alguma proposta de mudança no modelo conceitual do SPRING?

CFNa minha opinião o software é burocrático para usuários com pouco conhecimento de geoprocessamento para operá-lo. Isso pode ser ruim para usuários leigos mas é ótimo para que quer desenvolver produtos com conceituação bem estruturada e também para quem quer ensinar geoprocessamento fazendo uso dessa ferramenta. Nossas estatísticas de novos usuários de SPRING mostram uso intensivo da ferramenta na áreas de Educação (graduação, pós-graduação e ensino secundário) e de Pesquisas. Não existe intenção, até o presente momento, de se mudar o modelo conceitual do SPRING até porque isso poderia atrapalhar o trabalho de quem já está acostumado a utilizá-lo.

MC_SPRING

SG: A partir da versão 5.3 o SPRING integrou os módulos SCarta e Impima. Qual o objetivo?

CFO objetivo foi integrar todas essas ferramentas num único módulo. Segundo sugestões dos usuários, isto facilitaria seu uso. Também ficou mais fácil para nós, desenvolvedores da ferramenta, desenvolver e dar suporte a esses módulos. Aproveitando para lembrar que, nas versões mais novas, o Impima é aberto pela opção Abrir Imagem… do menu Arquivo do SPRING. O Scarta é aberto a partir da opção Ativar Carta também do menu Arquivo do SPRING.

SG: Qual a proposta ou por que criar um SPRING Web?

CFO SPRING Web foi criado numa época em que não haviam ferramentas para auxiliar na publicação de dados geográficos na Internet. Por isso se criou uma forma própria de se publicar os dados manipulados nos bancos SPRING. Hoje a realidade é outra, já existem muitas outras opções para realizar essas publicações.

SG_notaSPRINGWeb

SG: Como tem sido pensado o software para se encaixar nas novas tecnologias que estão sendo agregadas ao SIG? Como BIG DATA, Mineração de dados, Inteligencia Artificial, CUDA, Nuvem, RNA, IoT, Vants, entre outras.

CFAs novas tecnologias serão incluídas no SPRING por demandas, principalmente aquelas demandas recebidas pelo INPE para atender solicitações diretas do governo federal brasileiro, já que somos parte do Ministério da Ciência e Tecnologia. Porém, atualmente a DPI do INPE está dando prioridade ao “encaixe” de novas tecnologias em aplicativos específicos derivados, ou desenvolvidos, a partir da biblioteca de funções de geoprocessamento TerraLib. Exemplos desses novos aplicativos, além do TerraView, são: o TerraAmazon, o TerraMA², o TerraHidro, o GeoDMA e outros (veja detalhes desses projetos a partir da pagina da DPI www.dpi.inpe.br ou da página da OBT do INPE www.obt.inpe.br).

SG: Um tempo atrás falou-se em unificar os projetos TerraView e SPRING, o que houve com a proposta? Você acha que seria um bom negócio?

CFAtualmente o SPRING já está usando e integrando uma série de funções da TerraLib em suas ferramentas.  Também tem interface com bancos de dados TerraView. O que ocorreu foi que o TerraView foi desenvolvido, a princípio, para testar as funções da TerraLib. Como ele é um produto mais moderno, de código aberto e foi bem aceito pela comunidade, ele convive hoje em paralelo com o SPRING, mas não tem ainda todas as funcionalidades do mesmo. A medida que o TerraView for sendo expandido, ele poderá naturalmente substituir o SPRING como este substituiu naturalmente os nossos sofwares SGI e SITIM dos anos 80. Atualmente temos mais de 220000 usuários cadastrados como usuários SPRING e esse número continua crescendo numa taxa aproximada de 1000 novos usuários ao mês. Por isso continuamos nosso compromisso com o desenvolvendo e  manutenção do SPRING em paralelo com outras atividades, principalmente baseadas na tecnologia TerraLib.

SG: Como você vê o SPRING no meio desses outros softwares (QGIS, gvSIG, GRASS e outros)?

CFNão fiz nenhuma avaliação comparativa dos mesmos. Mas acho que os usuários tem o direito de escolher a ferramenta livre, ou paga se tiverem recursos, que melhor atender suas necessidades. Fico feliz em saber que existem hoje várias opções livres para os usuários poderem desenvolver suas aplicações em SIGs.

SG: Como é o relacionamento do INPE com a K2 no desenvolvimento do aplicativo?

CFA partir de 2004 o INPE conseguiu alguns recursos para contratar, por licitação pública, empresas privadas para trabalharem no software SPRING com melhorias, atualizações e novos desenvolvimentos especificados pelo INPE. A K2Sistemas venceu as primeiras licitações e com isso conseguimos manter o SPRING o mais atualizado possível dentro dos recursos que tínhamos disponíveis. O relacionamento com parceiras privadas é muito importante para que o INPE continue focando nas atividades de pesquisas inovadoras enquanto que as parceiras privadas podem ser contratadas para “operacionalizar” (implementar e dar manutenção) os resultados de nossas pesquisas inovadoras.  Recentemente fizemos uma nova licitação pública na qual a empresa OptimusGIS (www.optimusgis.com.br) foi a vencedora e já está trabalhando conosco a partir das versões 5.2.4.x do SPRING.

SG: Quais as perspectivas futuras para o SPRING?

CFComo já colocado acima, existem ainda demandas, internas e externas ao INPE, pelo uso do software SPRING e por isso ele deve ter seu desenvolvimento continuado. Porém, como somos um instituto do governo federal, e por isso disponibilizamos nossas tecnologias sem custo para os usuários, esse desenvolvimento vai depender, além das demandas, da disponibilidade de recursos públicos humanos e financeiros para esse fim.

[]

Caro professor  Carlos Felgueiras, obrigado por aceitar nosso convite e achar um espaço em sua agenda, que sabemos ser sempre lotada, e poder compartilhar conosco suas experiencias e visões, que acredito serem engrandecedoras para a comunidade de geotecnologias.

Muito obrigado!

Se você gostou da nossa conversa e quer ver outras aqui no blog deixe seu comentário, dê sugestões e não esqueça de compartilhar.

Até mais!


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: