Publicado por: sadeckgeo | junho 9, 2016

Drone e Celular

DroneCell

Inicio essa postagem dizendo que ainda sou um tanto avesso aos drones, por achar que é muito mais uma questão comercial, que um real ganho nos processo de mapeamento e desenvolvimento de novas metodologias. No entanto, fora do nosso “mundinho”, existem coisa sendo feitas e testadas que direcionam para um caminho luminoso… É impressionante como em nosso país as coisas sempre precisam ser caras para serem boas, diferente de outros lugares que os pesquisadores tem pensado em soluções baratas e até mesmo grátis para desenvolver metodologias e mapeamentos com alto valor agregado.

No reino unido uma equipe de cientistas da University of Exeter tem pensado em métodos, não diria inovadores, mas de grande apoio às pesquisas ecológicas e de gestão territorial, que seriam excelentes para serem usadas por secretarias de meio ambiente, órgãos fiscalizadores, proprietários rurais, defesa civil e entre outros, com um custo bem baixo, usando “brinquedo de criança” e celular.

O método foi descrito no artigo recém publicado “A Grassroots Remote Sensing Toolkit Using Live Coding, Smartphones, Kites and Lightweight Drones”. dá uma olhada lá!

Mas as pesquisas e o desenvolvimento foram mais longe, pois unir esses dois equipamentos e controlá-los era a questão, a equipe então desenvolveu um App para Android, que pudesse Identificar e guardar informações (metadados) sobre o conjunto completo de sensores do smartphone independente do modelo, controlar a câmera para que pudesse ser acionada por uma pré-configuração e gravar os dados de GPS, direção e outras coisas mais.

O App teve um desenvolvimento muito parecido com o que criamos (Alaga), no que tange a escrita, porém diferente no objetivo. Segundo os autores, “desenvolvemos uma abordagem que permitiu aos usuários programarem o aplicativo usando a tela sensível ao toque do telefone, usando um sistema baseado em Scheme Bricks” igual ao que fizemos, mas com um up! De ser implementado direto no celular.

Depois dos testes e da obtenção das imagens, foi necessário o desenvolvimento de aplicativo para pós-processamento das fotos e isso foi feito em python com suporte da GDAL, conjunto já batido no meio… Com isso conseguiram ajustar o posicionamento da imagem e fazer as conversões.

Como esses são os resultados do primeiro teste, ainda tem muita coisa para arrumar, como a trepidação do vante, mas é um processo inovador, que amplia o conhecimento científico e que desenvolve aplicações para diversas atividades. Sem falar que tudo isso está disponível em  código aberto (https://github.com/nebogeo/uav-toolkit) e livre para uso (UAV toolkit (beta)).

Comecei falando dos drones e troquei para Apps, mas se vocês derem uma lida no artigo, vão ver que podem ser usado diversos modelos e uns bem baratos… Essa é a beleza da ciência, ser meio MacGyver.

Referência:

Anderson K, Griffiths D, DeBell L, Hancock S, Duffy JP, Shutler JD, et al. (2016) A Grassroots Remote Sensing Toolkit Using Live Coding, Smartphones, Kites and Lightweight Drones. PLoS ONE 11(5): e0151564. doi:10.1371/journal.pone.0151564


Responses

  1. Muito bom! Se bem que dependendo do modelo do celular, melhor comprar um drone completo! Iphone e afins por mais de 6 mil pila!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Pessoal, parabéns pela postagem é sempre muito bom ver artigos e comentários sobre o assunto.
    Meu comentário tem como único propósito melhorar o entendimento da realidade sobre VANT, drones e afins.
    Vamos lá: O maior obstáculo que identifico nessa tecnologia é a mudança de cultura. “Nada é mais difícil de executar, mais duvidoso de ter êxito ou mais perigoso de manejar do que dar início a uma nova ordem de coisas. O reformador tem inimigos em todos os que lucram com a velha ordem e apenas defensores tépidos nos que lucrariam com a nova ordem.” Nicolau Maquiavel (1469 — 1527).
    Logo na primeira frase dessa postagem o autor deixa claro que é resistente à “drones” (a essa inovação) e julga, sem base cientifica que “acha” que se trata de uma questão comercial, como se fosse pouca coisa. Bem, segundo a AUVSI, acrônimo inglês de (Association for Unmanned Vehicle Systems International), em termos de impacto comercial, somente nos Estados Unidos até 2015, o impacto econômico será de $ 82 bilhões de dólares, e a criação de 100.000 novos postos de trabalho. The Economic Impact. Disponível em http://www.auvsi.org/auvsiresources/economicreport – acesso em janeiro de 2015.
    O Brasil é maravilhoso, tenho muito orgulho de ter nascido por aqui, há pessoas, cientistas, profissionais, e muitos lutadores que doam o melhor de si para direcionar nosso país para o rumo do progresso e do desenvolvimento. Todos também têm necessidade de sobreviver e para isso precisam de dinheiro. Sejamos realistas, o dinheiro nos move, não exclusivamente porém, nos move. Nossa pátria é gigante em todos os sentidos positivos, e em alguns negativos também, mas não é um “mundinho”.
    Meu avô (1906 – 1988) dizia “o barato sai caro e o que é bom custa dinheiro”, é impossível usar brinquedos e soluções minimalistas para resolver problemas de natureza complexa, a solução tem de ser adequada. Seria como tentarmos fazer uma ponte ou uma barragem usando gravetos e o poder da mente…
    A tecnologia VANT é uma revolução, resolve problemas enormes, mas seu melhor aspecto é que põe nas mãos dos menos favorecidos, uma ferramenta científico/tecnológica de real valor. É mais acessível em termos financeiros. Muda a ordem das coisas, contudo não é simples, não pode ser aplicada por pessoa sem capacitação, é necessário estudar; e seus frutos (financeiros) não podem ser alcançados sem investimento financeiro. Infelizmente.
    Para ver isso tudo funcionar e ter as respostas para todos os problemas e questionamentos, muitas gente de altíssimo grau de capacidade e capacitação, tem investido tudo: dinheiro, tempo, vida. Resolver problemas apontados como mínimos pode ser e quase sempre é laborioso. Para resolver o problema da “trepidação” é complicado e dispendioso, demanda de trabalho, hardwares, softwares, e dinheiro.
    Sugiro que leiam o post https://geotecnologias.wordpress.com/2012/03/29/mapeamentos-topograficos-por-meio-de-imagens-obtidas-por-vants/ . Apesar de antigo, lá o pessoal faz comparações cabíveis: VANT com aeronaves tripuladas, LIDAR com nuvem de pontos, sobreposição de imagens em “alto grau”, resolução espacial de centímetros; são tópicos pertinentes, de complexidade científica equiparável.
    VANT é muito bom, é muito mais barato que as soluções convencionais, mas é complicado: é necessária muita tecnologia embarcada para coletar dados (imagens) utilizáveis, a coleta de dados (vôo) oferece muitos riscos para as pessoas, para o equipamento (que é caro), para o projeto; o processamento dos dados é complexo e é necessário um hardware potente e um software sofisticado e muito caro, entre outras coisas.
    Quanto melhor entendermos os aspectos técnicos dessa tecnologia e melhor soubermos lidar com os aspectos fisiológicos como as mudanças, melhor e mais rapidamente colheremos os frutos dessa maravilhosa revolução.

    Luiz Oliveira

    Curtido por 1 pessoa


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