Publicado por: osvaldojrp | agosto 6, 2013

Dados SRTM (banda X) com 30 m de resolução espacial disponíveis para o Brasil

SRTM_OP2

Para aqueles que trabalham constantemente com dados SRTM essa notícia talvez traga um novo animo e novas perspectivas de trabalho, sobretudo para regiões que não contam com levantamentos topográficos de detalhe, como é o meu caso, que trabalho em áreas remotas da Amazônia. A grande vantagem relacionada a esses dados está no fato de essa base ter sido gerado por levantamento de Radar (banda X) tendo MDE’s derivados de interferometria, em outras palavras, não sofre interferência significativa de parâmetros atmosféricos. Quem já lidou com MDE’s gerados por estereoscopia ótica ASTER, já deve ter uma ideia do grande problema que a cobertura de nuvens e aerossóis podem causar nos modelos. Diante disso, mesmo considerando a baixa resolução das imagens SRTM (banda C) com 90 m, muitos optaram por utilizá-las ao invés de MDE’s ASTER.

Mas afinal o que foi a missão SRTM para coleta de dados na banda X?  Esses produtos foram gerados por SAR (radar de abertura sintética) adquiridos durante a missão SRTM (Shuttle Radar Topography Mission) no ano de 2000, através de parceria entre a agência espacial alemã (DLR), a agência espacial italiana e a NASA. Dois sistemas de radar interferométricos foram acoplados a aeronave Endeavor, com o objetivo de gerar um modelo global de elevação do terreno de alta resolução espacial. O sistema americano (NASA) operou na banda C e derivou as imagens SRTM já conhecidas de 90 m de resolução, já o sistema italo-germânico trabalhou na banda X e resultou nos modelos SRTM de 30 m de resolução.

Os modelos foram gerados pela técnica InSar (interferometria por Radar). Duas antenas SAR (uma no interior da nave e a outra numa haste de 60m) foram instaladas para a coleta de dados simultaneamente em diferentes fases, sendo tal diferença o fator de relevância para a geração dos modelos de elevação. Para mais detalhes sobre os princípios de aquisição de dados acesse: http://www2.jpl.nasa.gov/srtm/SRTM_paper.pdf

Os dados da banda X tem cobertura global semelhante aos dados da banda C, porém, não de forma contínua. Os “buracos” na cobertura são consequentes da alta resolução espacial demandada. Para mais informações acesse: http://www.dlr.de/caf/en/desktopdefault.aspx/tabid-5515/9214_read-17716/

Como Baixar as Imagens?

Os dados são baixados via FTP de acordo com os “Tiltles” das áreas levantadas. Os arquivos são zipados e organizados da seguinte maneira: Modelos Digitais de Elevação para uma área de 10° x 10°. Outro arquivo de organização semelhante com estimativa do erro vertical do DEM (HEM) e uma imagem JPEG ilustrando a área levantada. Também pode ser acessado para cada quadrante um arquivo KML mostrando as áreas abrangidas.

Para baixar as imagens acesse o link: https://centaurus.caf.dlr.de:8443/eoweb-ng/template/default/welcome/entryPage.vm

É necessário o cadastro no site para efetuar o Download. Para detalhes quanto ao formato das cenas individuais e detalhes gerais de acesso siga o link: https://centaurus.caf.dlr.de:8443/eoweb-ng/licenseAgreements/DLR_SRTM_Readme.pdf

Veja abaixo dois exemplos comparando imagens SRTM das bandas C e X para áreas do Brasil. 

SRTM_90_30

Esta Figura ilustra uma área de Miracatu no estado de SP. É possível notar um incremento considerável no nível de detalhe das feições de revelo na imagem SRTM-X. Já a imagem abaixo mostra uma área da Amazônia onde existem grandes massas d’água que podem gerar erros de levantamento nos dados SRTM. Observe tais erros e a mesma imagem corrigida no SIG ArcGis.

SRTM_correcao

Analisando-se as três imagens, nota-se a grande frequência de erros na área do rio, porém, os mesmos podem ser corrigidos, como mostrado. Sendo assim dois pontos essenciais devem ser elucidados para aqueles que pretendem utilizar tais modelos. O primeiro: Verificar a disponibilidade para a sua área; Segundo: Corrigir os erros (picos e vórtices) da imagem que resultam em valores de elevação irreais.

Boa sorte a todos e espero que a postagem seja útil para aqueles que lidam com modelos SRTM.

Outras postagens:

SRTM versão 4.0

Fusão Landsat TM5 – SRTM

Delimitação de microbacias e Hierarquia de rios – TerraView

Extração de curvas de nível – QGIS


Responses

  1. Já tive contato com o projeto SRTM (Shuttle Radar Topography Mission) da NASA, nesse tempo de aperfeiçoamento de técnicas para utilização no ArcGis, lembro que consegui extrair drenagem e micro bacia hidrográfica.
    O projeto TOPODATA do INPE usa o mesmo radar para aquisição de imagens que são voltados para MDT (modelo digital do terreno), os arquivos foram construídos com base na articulação 1:250.000, e tem varias opções de arquivos para baixar, são eles grade, altitude, declividade, orientação, relevo sombreado, curvatura vertical, curvatura horizontal, declividade classes (A), declividade classes (B), declividade classes (C), orientação (octantes), curvatura vertical – 3 classes, curvatura vertical – 5 classes, curvatura horizontal – 3 classes, curvatura horizontal – 5 classes, forma do terreno, divisores e talvegues. Todos os dados voltados para os usuários de software de SIG, permite o uso da ferramenta para extrair informações.

    Extrai a altimetria em intervalos de 1m a 1 m, de 10m a 10m e fiz comparação com folha do IBGE, achei que ficou coerente, mas preciso saber mais informações da precisão do posicionamento sobre esse projeto TOPODATA.

    Sadeck você consegue dar mais orientações sobre o projeto TOPODATA do INPE?

    Obrigado.

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    • Olá Ricardo,
      Vou falar com o Osvaldo para tentarmos fazer uma postagem sobre o TOPODATA para explicar mais sobre esse projeto do Márcio.
      Um abraço.

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  2. Olá Ricardo.
    Em um evento que fui mês passado na Austrália entrei em contato com colegas de trabalho do Márcio. O projeto TOPODATA utilizou uma ampla base de dados SRTM para a elaboração dos MDE’s, mas foram utilizadas as imagens com 90 m de resolução espacial, como você pode ver nesse link: http://www.dsr.inpe.br/topodata/dados.php
    Tais modelos tem uma resolução nominal de 30 m mas isso, devido a algoritmos de interpolação que foram aplicados. O nível de processamento mais aperfeiçoado até o momento para os dados SRTM 90 m, foi feito pela USGS (SRTM V4.1) sendo que as camadas geradas pelo TOPODATA podem ser também extraídas dos modelos SRTM V. 4.1.
    Se você está interessado em testar modelos de precisão horizontal e vertical dos MDE’s SRTM, verifique as imagens de 30 m ou até mesmo os modelos ASTER, para a sua área de interesse.
    Sintetizando toda essa conversa. O projeto TOPODATA sem dúvida foi um grande avanço para o mapeamento topográfico sistemático do Brasil e facilitou a vida de muita gente, mas se sua preocupação é a precisão horizontal e vertical verifique os dados ASTER (problema relacionado a cobertura de nuvens) ou SRTM X (nem todas as áreas foram levantadas) para ver se atendem melhor suas expectativas.
    Abraços!

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    • Pronto Ricardo,

      Ai estão os comentários sobre o TOPODATA. Obrigado Osvaldo! Você tem dado uma ótima contribuição para este blog.

      Abraços.

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      • Obrigado, pelo apoio!
        Esse blog é sempre bom para melhor o aperfeiçoamento das minhas técnicas em GIS.
        Valeu!

        Curtido por 1 pessoa

  3. Olá caro amigo, gostaria de uma informação a respeito dos dados SRTM 30m. Baixei a carta W060S30 e ao descompactar o arquivo o que realmente possui dados parece uma malha reticulada e nao uma cena totalmente coberta. Os dados SRTM esão somente nos elos desta malha, ficando grandes vazios, sem utilidade alguma. É assim mesmos que estes dados se apresentam. Dentro do arquivo W060S30 que vem zipado aparecem duas pastas chamadas DEM e HEM, sendo que cada pasta possui varios arquivos com a Extesão *.dt2. como nestes exemplos W0501500S211500_SRTM_1_DEM.dt2 e W0501500S211500_SRTM_1_HEM.dt2. Abrir todos os aruivos DEM utilizando o programa Global Mapper mas não vi muita uilidade devido à imensa area que não é coberta. O dados SRTM apareceram assim para mim (imagem abaixo):
    Outra coisa este arquivo de baixei tem uma cobertura em uma represa, que possui erros, pois a superficie deveria ser plana, como voce colocou no post, Vc tem algum tutorial de como corrigir os erros de picos e vórtices, usando o Arcgis 10.0

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    • Olá Ericson!
      De fato esses dados são organizados em uma malha reticulada e recobrem em torno de 1/3 do levantamento SRTM (Banda C) com 90 m. Isso pode ser um problema, pois muitas áreas não são abrangidas. Você deve ter observado que junto com as cenas vem um arquivo KMZ. Pode abrir para verificar se sua área de interesse é abrangida. Com relação ao arquivo HEM, ele apresenta uma estimativa do erro relativo das áreas onde ocorrem picos e vórtices. Par alguns casos esses dados são de fato úteis quando recobrem a área de interesse (caso da amazônia com alta cobertura de nuvens).
      Como você está trabalhando com uma área na região sul e Argentina, você pode tentar utilizar DEM’s ASTER gerados por estereoscopia e com 30 m de resolução espacial.
      http://gdem.ersdac.jspacesystems.or.jp/
      Lembre-se que tanto modelos gerados por interferometria quanto por estereoscopia, terão problemas em áreas de corpos d’água.
      Para corrigir usei a base SRTM V.4.1. e apliquei uma máscara para extrair os rios, depois substitui pelas áreas do SRTM X com erros.

      Curtido por 1 pessoa

  4. Caro Osvaldo,

    Você sabe informar se houve alguma alteração no link do SRTM-X 30m. Pois, estou tentando acessar e o mesmo retorna que a página da Web não está acessível.

    Desde já agradeço.

    Att,
    Thiago Rodrigues

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  5. Teria como mudar o formato desses SRTM para *.TIFF para conseguir trabalhar com elas em outros softwares ou e so no global mapper que eu consigo visualizar essas imagens *.dt2 ?

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  6. Olá Marcos!
    Eu utilizei o ArcGis para abrir os modelos no formato .dt2. Nele as imagens podem ser abertas normalmente e exportadas para GeoTiff ou outros formatos raster. Mas para isso é necessário ter acesso ao software e a licensa Spatial Annalist.

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  7. bacana, eu e o pessoal aqui do lab não conhecíamos.

    Infelizmente minhas duas áreas de estudo (região norte do DF e Rio Claro, SP) não estão abrangidas.. pelo contrário, a faixa passa do ladinho, ciscando mas não englobando. Muito azar.

    Mas a bacia do Descoberto em GO/DF é abrangida e ajudou muitos colegas.

    Att,

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  8. Ola Osvaldo e Sadeck!
    qual a diferença deste produto com o q a USGS comercializa pra fora dos EUA com o nome de SRTM 30m?!
    É a mesma coisa?!
    Abs

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  9. […] SRTM de segunda geração, mais novo (e que pega poucas partes nacionais), possui grandes melhorias, com resolução de 30 m, […]

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  11. Saudações Luis,
    Amigo você saberia dizer se estes dados de 30 metros do SRTM recobrem toda as áreas onde tem os vazios e se em um futuro … serão totalmente liberadas. Sucesso e paz

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    • Olá Demetrius,

      Nesse link da postagem foram alguns segmentos disponibilizados pela DLR e não recobrem tudo não. Agora segundo noticias da Casa Branca (USA) a USGS disponibilizará a cobertura completa em breve. Se não estou enganado os dados para a Africa já estão disponíveis. Vamos aguardar pra ver né?!

      Um abraço.

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