Publicado por: sadeckgeo | janeiro 17, 2012

Análise Espacial – Algumas considerações.

Recentemente tenho visto alguns colegas incentivando o estudo das técnicas de análise espacial. Acho a iniciativa louvável, principalmente por que é uma área que dá visualizações sobre o espaço geográfico de forma excepcional, podendo facilitar estudos posteriores de modelagem. 

É importante lembrá-los que para tanto, é fundamental que se tenha conhecimentos básicos, pelo menos, de matemática e estatística… Isso me deixou um pouco preocupado, pois semana passada fiquei sabendo que a Geografia da UFPA não possui mais essa disciplina (matemática) em sua grade curricular. Graças a Deus! Eu ainda tive a oportunidade de fazê-la. 

Vamos ao que importa! O primeiro passo para se trabalhar com Análise espacial é a organização dos seus dados em todos os níveis. Digo, tabela, vetor, matriz, banco de dados, metadados e informações extras, pois só assim a informação torna-se manejável e interpretável. 

Depois que seus dados estiverem organizados, ai sim você pode começar explorá-los, ou como na gíria da GEO, “torturar o dado”. Chegamos então à segunda parte, chamada de análise exploratória, que apura as propriedades estatísticas e matemáticas dos dados. O resultado dessa etapa geralmente são tabelas que serão transformadas em matrizes, possibilitando a visualização/espacialização para verificar se os dados estão coerentes. 

Estando tudo ok e ajustado, podemos seguir para uma nova etapa de análise, onde começaremos obter as estatísticas do dado como: cálculo da média, variância, desvio padrão e histograma, que são os mais conhecidos e usados. É aqui que começa a brincadeira! Segundo alguns autores, a análise exploratória com cunho espacial, permite-nos descrever e visualizar distribuições de dados espaciais, descobrir padrões de associação espacial, bem como identificar nos fenômenos, outros tipos de comportamento considerados atípicos. 

Partindo deste princípio, podemos elencar algumas técnicas mais usadas para estudos dessa natureza:

– interpolação espacial;

– análise da dependência espacial (Variograma);

– qualidade de distribuição espacial (Anisotropia);

– análise da continuidade do fenômeno (Krigeagem). 

Se você gosta desse campo de estudo a tese da Marilia Sa Carvalho vai ser de grande valia para sua formação. Alem dela, você também pode baixar o livro criado pelos professores do INPE e dar uma olhada nos materiais de aula do professor Antonio Miguel Vieira Monteiro. Os links estão aqui:

APLICAÇÃO DE METODOS DE ANÁLISE ESPACIAL NA CARACTERIZAÇÃO DE ÁREAS DE RISCO À SAÚDE. ANÁLISE ESPACIAL E GEOPROCESSAMENTO SER-301 – ANÁLISE ESPACIAL DE DADOS GEOGRÁFICOS

Deixo também para os interessados um livro-curso sobre estatística criado pela professora Corina do INPE.

ESTATÍSTICA – CURSO

Espero que esse material e a postagem sirvam de incentivo para novos estudantes e estudos nessa área.

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Responses

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  2. Perfeito SADECK….
    Conceitos basicos de matemática são fundamentais para quem vai trabalha com geoprocessamento…
    Semana passada fiquei sabendo que na universidade onde formei o cálculo deixou de ser pré-requsito para topografia e disciplinas correlatas…
    Uma pena…
    Creio que deveriam se preocupar em ministrar matemática de forma mais integrada com outras discilplinas… creio que somente desta forma os alunos deixariam de vê-la como estorvo e lhe dariam o seu merecido valor….

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    • Poie é! Sinceramente não sei o que se passa na cabeça desse pessoal que formula o currículo dos cursos de graduação… A matemática é a base de quase todo, se não todo, o conhecimento científico e eles me tiram da grade…
      Vai entender!!!

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  3. Grande professor como sempre nos ajudando!
    Valeu pelas dicas e conserteza serão de grande valiar para minha monografia: Espacialização dos incêndios urbanos de Belém: Aplicação do geoprocessamento no mapeamento das ocorrências de incêndio urbano.
    Estou no capítulo sobre estatística de incêndio!

    Sua ajuda e do meu Co-orientador Orleno Marques acho que dá pra tira uma boa!

    Valeu! Já baxei e vou imprimir!
    Obrigado mais uam vez!

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    • Com o Orleno como orientador não tem como você ter um trabalho ruim. O cara é fera! Saudades dos nossos tempos de SIPAM! Manda um abraço pra ele.

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  6. esse problema não é só no brasil… cá em portugal também estão a acabar com as cadeiras de matemática nos cursos de geografia… no meu, por exemplo, tivemos só uma cadeira de estatística num semestre…

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  7. Eu não sou da geografia, sou biólogo de formação. E concordo com a importância que a matemática tem nas ciências como um todo. A biologia tem avançado muito, contudo o que se difunde é profundamente matematizado e ocorre que não existe no currículo dos biólogos essa cultura de estudar matemática.

    Nem falo do SR, que tem fortes interações com o mundo do cálculo.

    Correr por fora depois da um trabalho sem fim, mas é possível com bastante persistência. Caso contrário é melhor desistir de fazer isso ou então ficar somente do beabá.

    O que não entendo é: como pode um geografo atuar no órgão como o IBGE, onde o próprio nome indica para onde o órgão se volta?

    Abraços

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  8. Assim, o novo curso de Astronomia passa a funcionar lado a lado com os cursos de Física, Matemática e Química, na Faculdade de Filosofia.

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