Publicado por: sadeckgeo | Setembro 19, 2009

Resolução Espacial vs. Escala

Artigo

Hoje falaremos um pouco sobre a relação resolução espacial – escala cartográfica, para isso é preciso primeiro conceituar esses termos.

Começando por resolução espacial, podemos entender o termo como sendo o menor tamanho de objetos que é possível identificar na imagem. Formalmente, é definida como a menor separação angular ou linear que um sensor pode diferenciar, medido em linhas por milímetro, metros ou estéreos radianos.

O termo Escala é explicado pela literatura como o referencial de redução do mundo real ao papel sendo essencial para a cartografia.

Nos trabalhos que hoje são desenvolvidos na área de mapeamento, a maioria usa imagens de satélite e sempre paira a duvida: Qual imagem (resolução) eu uso para um mapeamento na escala 1:25.000? Ou ainda, com uma resolução de 2.7m em que escala eu posso extrair informações? Bem, essa duvida pode ser resolvida com um pouco de biologia e física…

Para compreendermos esse processo temos que nos remetermos ao termo resolução ocular ou acuidade visual, que é determinada pela menor imagem retiniana percebida pelo indivíduo. Sua medida é dada pela relação entre o tamanho do menor objeto (optotipo) visualizado e a distância entre observador e objeto. Esse é o principio que deu origem também aos estudos da microscopia.

Baseado nessa teoria que diz que o olho humano é capaz de distinguir até 0,2 mm (Acuidade Visual) sem nenhum tipo de lente e sendo sadio, podemos usar essa medida para calcular as escalas em função da resolução espacial. Para tanto é só dividir a resolução espacial pelo fator de acuidade visual transformado em escalar constante 1000 para obtermos a escala padrão para essa resolução.

Escala

Em caso de se querer a resolução estimada para uma determinada escala é só proceder a transformação da formula.

Escala2

Segundo a norma técnica, levando em consideração e menor precisão gráfica possível de ser observada a olho nu (0,2 mm ou 0,0002 m), é possível calcular o erro admissível (ea) para as escalas, aplicando-se a seguinte relação: ea = 0,0002 X N, onde N é o denominador da escala.

Os detalhes cujas dimensões gráficas forem inferiores ao valor do erro admissível não terão representação gráfica e, portanto, não constarão no desenho, a não ser através de uma convenção.

Acho que era isso que tinha para comentar hoje com vocês, espero que o texto venha tirar as duvidas da comunidade em geral.

Um abraço.

Até o próximo.


Respostas

  1. Excelente artigo.

    Não sei se o problema é do meu navegador, mas não consegui visualizar as formulas. To usando o firefox.

    Abração

    • Dê uma olhada agora… Realmente tinha um probleminha no link das formulas, acredito que tenha resolvido.

      Obrigado!

  2. Pô cara não sabia do seu Pai. Sinto muito.
    Deus sabe de todas as coisas e não deixa nada acontecer se não for por um propósito maior.

    Espero que você e sua familia estejam bem.

    Dias melhores virão.

  3. Sadeck,
    Você poderia colocar algumas referencias bibliográficas para o assunto discutido?!
    Este é o tipo de informação que precisa está guardado e nos acompanhando sempre!
    ;)
    []’s

    • Olá Vicente,

      Você pode fazer referência à esse artigo mesmo, pois acredito que não tenha uma literatura que faça referência à essa relação… Talvés o que você ache por ai sejam artigos relacionados com Acuidade visual e Microscopia, Escala e Erro aceitavel, PEC e outros, mas nada no sentido dá relação a cima…
      Como eu disse no corpo do post, essa relação é uma junção de conhecimentos de outras ciências como Biologia, Física e Cartografia.
      Vou dar uma procurada pela net e posto aqui caso ache.

      Um abraço

  4. Fiz uma busca rapida pela NET relacionada com o tema e encontrei alguns artigos que podem dar suporte ao artigo:

    http://www.geologia.ufpr.br/graduacao/cartografiadigital/elementoscartografia.pdf

    http://www2.fct.unesp.br/cartografia/cartografiaII/ProvaI/Fase_Proje_Carto3.pdf

    http://web.eep.br/~rmachado/view.php?file=CARTOGRAFIA/Escalas.pdf

    Castañon, C. A. B. Recuperação de imagens por conteúdo através de análise multi-resolução por wavelets. 2003. 84p. Dissertação (mestrado em Ciências da computação e Matemática computacional) – Instituto de Ciências matemáticas e de Computação (ICMC), São Carlos. 2003.

    Quem tiver mais, posta ai!

    Um abraço

    • Sadeck,
      Muito obrigado pela atenção e resposta rápida.
      Como eu disse, esse é o tipo de assunto que a gente deve andar com ele na carteira para nunca esquecer…
      :)
      Parabéns pelo trabalho.
      []’s

  5. gostaria de saber se pode me ajudar?

    vc sabe me dizer o que é um erro de processo?

    • Olá Luana,

      Especifique mais sua pergunta…

      Aguardo…

  6. É que preciso fazer um trabalho para a faculdade….engenharia de
    produção….e a matéria é gestão da qualidade….então acho que o professor
    se refere ao erro no processo de produção……

    Acontece que não estou conseguindo achar na internet….só aparece erro de
    medição e creio que não a esse erro que ele se refere, entende?

    • Luana,

      Entendo seu problema, mas acredito que não posso ajuda-lá… pois não tenho conhecimento na sua área.
      Geralmente aqui no blog tiro duvidas de geotecnologias, se for nessa área posso lhe ajudar.

      Um abraço

  7. estive lendo sobre o tema no seu blog, e na parte de citaçao gostaria de mostrar um trabalho que desenvolvi para o simposio brasileiro de sensoriamento remoto nessa área.
    o titulo e: “Definição da escala em imagens de sensoriamento remoto: uma abordagem alternativa”

    o link e esse: http://marte.dpi.inpe.br/col/dpi.inpe.br/sbsr@80/2008/11.18.03.28/doc/1739-1746.pdf

    um abraço a todos

    • Olá Nelito,

      Muito bem traçado seu artigo, parabéns!
      Realmente o Cálculo feito através do IFOV, não dá um bom resultado, mas já se levarmos em conta EIFOV, para uma aproximação de Escala Máxima por Resolução, ai temos um bom resultado…
      Acredito que seu artigo venha contribuir de forma fantástica para essa discussão, sendo muito bem embasado nas questões técnicas dos sensores e na legislação. Sendo bem menos subjetivo que o escrito por mim, que levo em consideração a Acuidade Visual.

      Obrigado por sua contribuição.

      Um abraço

  8. Olá,
    Tenho uma dúvida sobre a equação que estima a escala a partir da acuidade visual e acho que ela tem algum erro.
    Perceba que a escala aumenta se aumentarmos o tamanho da menor feição a ser identificada (ex. se empregamos 0,2 mm para uma resolução de 30m teremos uma escala de 1:150.000, por outro lado, se empregamos o PEC A, 0,5 mm, teremos uma escala de 1:60.000).
    Isto é incoerente, pois, traços menores (0,2 mm, por exemplo) exigem escalas de maior detalhe (1:50.000; 1:25.000 etc) para serem identicados.
    Por favor, poderia me ajudar com esta dúvida? Você teria alguma referência bibliográfica que detalha a obtenção da equação?

    No aguardo.

    • Oi Flávio,

      Esse cálculo (fórmulas) só pode ser feito pelo fator de acuidade visual (0,0002), que é a constante, se você quiser levar em consideração outros valores como o PEC, ai você precisa usar o EIFOV do sensor.
      Ai em cima tem alguns materiais que explicam as duas relações (Acuidade Visual e EIFOV)
      Espero que lhe ajude.
      Um abraço

  9. Prezado Flavio,
    Apenas para concluir o que o Sadeck havia comentado, o indicador do PEC para a classe A, como voce havia mencionado, é para a precisão do produto frenta a sua posição geográfica e o fator para erro gráfico de 0,2 mm é um valor de identificação de elementos a serem representados na carta.
    EM uma carta na escala 1:100.000, por exemplo, o menor elemento identificável é de 20 metros e sua precisão, para atender a classe A do PEC, deverá ser de 50 metros.
    Espero ter ajudado.
    Sadeck, parabéns pelo site.


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